Oi, meu amor...
Hoje a mamãe pensou muito sobre por que, entre tantas pessoas da família, eu fui a única a receber esse nome: Transtorno Afetivo Bipolar.
Fiquei triste por um instante. Me perguntei por que essa dor escolheu morar em mim.
Mas depois, com o coração mais calmo, entendi uma coisa bonita: talvez não seja porque eu sou a mais fraca… mas porque eu sou a que teve força pra olhar pra isso com verdade. Porque eu sou a ponte entre o que veio antes e o que virá depois. Eu sou a primeira da nossa linhagem a ter palavras, apoio e tratamento. E você será a primeira a nascer em um mundo onde sentimentos não são vergonha, e sim bússola.
A mamãe sente muito, às vezes. Tem dias que parece que o mundo pesa demais. Mas também sente amor, esperança, vontade de cuidar de você com todo o carinho que talvez eu mesma não recebi no passado.
Quero te ensinar, desde pequeno(a), que não é errado sentir, que a gente pode pedir ajuda, que tá tudo bem não estar bem.
Eu tô tentando quebrar um ciclo. E você é parte disso. Você é luz chegando numa história antiga, pra mudar tudo de um jeito lindo e silencioso.
Com todo meu amor,
Mamãe